Meu pai, Eduardo Gomes Ribeiro Junior |
Ele tinha o olhar sereno dos librianos e um faro fino para fazer negócios. Trabalhou dos 13 aos 59 anos, quando nos deixou, sem tirar férias. Seu sangue português "Gomes Ribeiro", pensava trabalho e vivia para a família, como se os dois, trabalho e família, fossem uma só religião. Era devoto fervoroso de São Cosme e São Damião e no dia 24 de setembro, a casa se enchia de gente que vinha de toda parte, para saudar Seu Ribeiro e saborear o delicioso caruru, que é como chamamos o famoso banquete afro baiano, servido nas casas da Bahia, por aqueles que são devotos dos santos médicos. Ele estudou até o quinto ano primário, mas os seus filhos, estudaram nos melhores colégios da cidade de Salvador, escolas particulares que nos abriu muitas portas e nos fez ingressar nas Universidades até com uma certa facilidade, dada a base que nos foi dada. Me lembro que nos anos sessenta e setenta, progredimos a passos largos. Era o tempo da ditadura militar, e naqueles anos, quem não tivesse medo de trabalhar, prosperava firmemente. Com ele aprendi entre outras coisas, a ser honesto e a não ter medo, nem do trabalho nem da vida. Com ele a vida era feliz e segura. Reconheço no entanto, que não sou um décimo do homem que ele foi. Hoje, Eduardo Gomes Ribeiro Junior, faria 92 anos. Tenho uma saudade imensa do meu pai.